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Liquidez nos investimentos: o que é isso?

Como forma de diversificação, muitos investidores procuram ativos que possam ser vendidos facilmente, para cobrir despesas emergenciais ou aproveitar oportunidades passageiras. Isso, inclusive, faz parte da gestão financeira pessoal: temos objetivos de curto, médio e longo prazos, por isso, precisamos de aplicações em que o valor poupado/investido possa ser retirado tempestivamente.

Mas, ao selecionar os ativos, é importante não confundir “ser vendido facilmente”, do inglês marketability, com “liquidez”, nem tampouco “liquidez fraca” com “liquidez forte” (essas últimas são definições nossas).

Uma empresa inteira não tem “marketability”. Para vendê-la, mesmo que por um preço bem abaixo do que você acha que ela vale, o comprador precisará valorá-la: avaliar os recebíveis, os custos e despesas, os recursos humanos, os processos, os clientes, a participação no mercado, os potenciais, os produtos, a inovação, os diferenciais, os ativos permanentes (tangíveis e intangíveis), etc. Isso leva tempo. Portanto, se o empresário estiver precisando do dinheiro em caixa em curto prazo, vender a empresa não é a melhor solução.

Terrenos, apartamentos, carros, ações, títulos, jóias, ouro, dólar possuem “marketability”, mas nem todos são líquidos. Todos, de uma maneira geral, podem ser vendidos facilmente, uma vez que a valoração é menos complicada que a de uma empresa (de capital fechado). Assim, o comprador saberá rapidamente que o preço pedido está atrativo, bastando ao vendedor propor um preço bem abaixo do preço justo. Por exemplo, se o apartamento vizinho está sendo oferecido por R$500 mil, você conseguirá vender rapidamente o seu (similar) por R$300 mil. Se uma ação (mesmo as pouco negociadas) estiver com preço de mercado igual a R$10,00, basta você enviar a ordem de venda com valor igual ao da primeira ordem de compra (por exemplo, R$8,00), mesmo que esta esteja bem abaixo do valor de mercado (não estamos considerando aqui os casos especiais em que uma ação fica sem nenhuma ordem de compra).

Quando um ativo puder ser vendido facilmente, ele, além de “marketability”, terá liquidez se o preço de venda for igual ao preço de mercado no momento da venda/oferta. Ou seja, se o vendedor não precisar oferecer nenhum deságio para vender o ativo.

Para um ativo ter liquidez forte, é preciso ser líquido e ter seu preço de venda no mínimo igual ao preço de aquisição corrigido pelo custo de oportunidade: você comprou um terreno por R$50 mil e pode vendê-lo, a qualquer momento, por, pelo menos R$50 mil, mais uma taxa livre de risco. Exemplos disso são os produtos financeiros de renda fixa (caderneta de poupança, CDB, títulos pré-fixados, aplicações atreladas a um índice de inflação, etc.).

Já uma ação (líquida) possui apenas liquidez fraca, uma vez que, dependendo do momento em que se precise vendê-la, o vendedor pode não ter a recuperação do valor investido (corrigido ou não pelo custo de oportunidade). Se o investidor precisar vender uma ação comprada por R$20,00 em um período de baixa, não vai vendê-la por mais que R$20,00. Mesmo que consiga vendê-la pelo preço de mercado no momento, esse preço deverá estar bem abaixo dos R$20,00.

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