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Adolescentes: boas ou más companhias para as finanças familiares?

Seja pela necessidade de ‘pertencer’ ou de ‘se afirmar’, o adolescente é um potencial consumidor por impulso e um atalho usado pelos publicitários para gerar vendas.

Segundo o consultor financeiro Cláudio Boriola e a psicóloga Dra. Mara Lúcia Madureira, em artigo no Portal Administradores.com (clique aqui para acessar o texto), “quanto mais jovem, menor é a capacidade de um ser humano para compreender conceitos complexos como (…) controle da ansiedade, definição de objetivos, capacidade de planejamento e administração financeira”.

Por que o adolescente é tão vulnerável a comportamentos imprudentes?

São várias as causas:

– Prazer da descoberta: a adolescência apresenta novos estímulos, sensações e situações. O adolescente fica “louco” para experimentar tudo. Como ele já faz a maioria das coisas sozinho, desde ir à escola até escolher suas próprias roupas, essa sensação de liberdade pode influenciar as decisões e ações financeiras;

– Necessidade de testar as habilidades intelectuais recém adquiridas: o adolescente recebe uma carga muito grande de informações e se acha mais sabido que todo mundo. Como dizia o Davi, meu filho mais novo quando tinha uns 7-8 anos de idade: “Adolescentes… Pensam que sabem de tudo.” Nessa fase, eles têm suas opiniões e percepções querem ter as rédeas de suas decisões, achando que farão tudo certo;

– Falta de autocontrole: a crença de que sabem de tudo e de que podem resolver seus próprios problemas mascara o perigo da falta de autocontrole. Nessa idade, a influência da turma de amigos (e da mídia, como falamos anteriormente) é muito grande, e eles não estão preparados para lidar com essa pressão;

– Incapacidade de prever consequências: por mais que queiram resolver seus próprios problemas, os adolescentes não costumam ter ideia das consequências de decisões financeiras mal tomadas. Um cartão de crédito na mão deles é uma arma (contra eles mesmos), pois a vontade de ter um bem em curto prazo é maior que a consciência de que não será possível pagar por esse bem;

– Pouca experiência de vida: a gente aprende muita coisa na prática, com nossos próprios erros. O adolescente está no começo de sua vida econômica e portanto não tem vivência para decidir sozinho, por mais que se julgue autossuficiente.

Em contrapartida

Em contrapartida, é pacífico que, uma vez introduzidos na educação financeira, os adolescentes podem influenciar a mudança de hábitos financeiros prejudiciais dentro da família (por exemplo, evitar desperdício de energia elétrica, consumir de forma consciente e usar corretamente o cartão de crédito) e podem ser os agentes da adoção da cultura de planejamento financeiro.

Em que devemos focar para educá-los financeiramente?

Além dos conhecimentos contextuais como qual a origem do dinheiro, o que são bancos, como funciona o mercado financeiro, é importante atentar para 5 ações:

– Ganhar dinheiro: o correto seria “fazer” dinheiro, como dizem nos EUA (make money), já que não se ganha dinheiro, mas, sim, recebe-se em troca de um serviço/produto. Nesse ponto, é importante tratar sobre salário e deixar claro que a independência financeira será alcançada (com menos dificuldade) se ele empreender;

– Gastar x poupar dinheiro: as questões aqui são “querer x precisar” e “caro x barato”. É preciso saber gastar e só se deve gastar com o que é preciso, atentando para a pesquisa de preço e para a relação custo-benefício, noção que eles já têm na adolescência;

– Investir x dever dinheiro: a decisão correta entre deixar de consumir hoje para consumir mais no futuro é o ponto central aqui. É o investimento para um estilo de vida melhor contra o financiamento de um estilo de vida atual que não é o seu. A impaciência em consumir (para ter) leva ao pagamento de juros, que são caros. Já a espera associada ao investimento leva ao ganho de juros, que compostos no longo prazo são uma recompensa e tanto.

Para concluir, cabe a nós, pais, sermos exemplos e orientá-los, entendendo e aceitando, porém, que eles estão passando por uma sucessão tão rápida de mudanças físicas e comportamentais impossíveis de assimilar e controlar com muita eficiência. Como alertam (e ratificam) os autores já citados, “antes de bancar o ‘mestre das finanças’ com seus filhos adolescentes, é necessário compreender o processo de ajustes de um cérebro que está sofrendo modificações de algumas estruturas e reorganizações químicas”.

Rodrigo Leone

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