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ACEITAÇÃO É FUDAMENTAL

  Sou filha de uma diarista e um pedreiro. Estudei até o ensino fundamental I em uma escola pública, depois ganhei uma bolsa e estudei em uma escola particular muito conhecida aqui na cidade. Nesse período fiquei com vergonha das minhas origens (olha só que bobagem). Eu achava que as pessoas me aceitariam por causa do que eu tinha. E financeiramente tinha muito pouco. Minha casa era simples. Mainha abriu um bar com um espetinho na frente e nem de longe essa era a estrutura a que tinha acesso ( conheci pessoas muito ricas, mas essas eram a realidade delas). Então imagina aí na cabeça de uma adolescente de 14 anos o que isso representava: exclusão. Eu já não era o estereótipo queridinho do momento. Sempre acima do peso, cabelo cacheado, personalidade mais agressiva… Era difícil lidar com tanta coisa. Hoje eu olho pra trás e vejo que muito dos meus traumas estão relacionados a essa minha dificuldade de me aceitar (de maneira geral).

  Hoje, aos 26 anos de idade, continuo sendo filha de pedreiro e de uma diarista, agora separados. Muita gente acha que por ser jornalista, ganho rios de dinheiro e deveria sustentá-los. Adoraria! Mas, ai de mim se não fosse mainha. É ela quem segura todas as barras, de uma maneira tão forte que nem imagino como ela consegue. Uma guerreira!

  É importante a gente avaliar o que nos afeta. Isso pode nos acompanhar por toda a nossa vida e atrapalhar um bocado de coisa.

  E você deve estar se perguntando: Ei, Desirée. Você ainda tem vergonha das suas raízes? De jeito nenhum! Me orgulho tanto de vir de onde venho e saber do que minha mãe fez e faz para me ajudar a conquistar tudo o que quero. Vergonha eu tenho de ter tido vergonha alguma vez nada vida. Mas que bom que temos a oportunidade de mudar. De recomeçar. Recomece! Quantas vezes forem necessárias…

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